Foto tirada por mim numa rua da Tijuca. Montagem feita com a ajuda do velho e bom Photoshop.Foto tirada por mim numa rua da Tijuca. Montagem feita com a ajuda do velho e bom Photoshop.
Droga! E se eu tivesse feito isso ao invés daquilo?! Como estaria hoje?
Se estivesse com aquela pessoa e não com essa?
Aquele erro que cometi... hum... E se... não tivesse cometido?
Caramba, poderia ter estudado mais naquela ocasião...
Podia ter sido mais gentil. Fui tão rude.
Podia ter sido mais decidido naquela hora.
Perdi aquela chance por distração.
Fui rápido quando devia ser devagar.
Fui devagar quando devia ser rápido.
Por que diabos disse aquilo?!
Putz, sabia que era errado mas fiz assim mesmo.
Como seria se tivesse feito aquilo que tive vontade de fazer naquele exato momento?
Aquela pessoa...
E se... não tivesse me apaixonado?
Resposta: não seria quem sou hoje.
Pergunta: seria bom ou ruim poder ver um mundo paralelo onde fizemos as coisas diferentes?
Possibilidades.
Hipóteses.
**********
Pensando nisso, fiz um conto.
No fundo do armário, encontrou um bolinha de gude. Lembrou-se instantaneamente da infância do subúrbio, das brincadeiras inocentes e da completa despreocupação que somente uma criança pode ter.
Queria ser astronauta e hoje, com 30 anos, é caixa num supermercado gigantesco. O falecido pai foi feirante e a mãe vendia picolé. Uma típica família que, se não chegava a ser pobre, também não podia ter muitas pretensões.
Passou a infância e a adolescência brincando, jogando bola e matando aula. Ainda não compreende bem como conseguiu terminar o segundo grau. A verdade é que era um garoto carismático e com uma certa lábia. Sempre conseguia aquele pontinho extra restante pra passar na recuperação depois de uma conversa simpática com o professor.
Enquanto as imagens passavam como raios pela sua cabeça, olhou aquela bolinha de gude, agora parecendo ter um brilho diferente. Qual não foi seu espanto ao se ver criança dentro daquele objeto? Piscou com força sem acreditar no que via. Trouxe a pequena esfera mais para perto de seu rosto e assistiu, pasmo, a uma espécie de filme passar ali dentro.
Dessa vez, com 10 anos de idade, ouvia os conselho do pai e parava um pouco de jogar bola para estudar. Algumas vezes deixava de lado o pique-esconde e lia um livro que a professora de Português tinha emprestado.
Naquele mundo, tinha feito faculdade e havia se tornado um bem-sucedido professor universitário, casado com uma bela mulher - antiga namorada na juventude – e pai de dois filhos. Vivia sorrindo com um brilho fugaz nos olhos.
Subitamente as imagens sumiram da bolinha de gude, agora só um ordinário objeto novamente. Viu-se então na sua casinha alugada, solitário. Não via aquela mulher, que era sua esposa naquele pequenino universo, desde os 20 anos, quando a traiu.
Chorou.